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| Fonte: www.focacultural.com.br |
Não consigo nem expressar em palavras indignação que senti ao ver aquela receita de miojo
em meio à redação da prova do Exame Nacional do Ensino Médio. De
início, fiquei indignada com o indivíduo que chegou a este nível de
deboche com relação à educação. Confesso, queria dar uma lição de moral
no tal rapaz. Mas, depois de discutir o assunto com alguns colegas,
entendi que Carlos Guilherme Custodio Ferreira é, na verdade, o retrato
do brasileiro indignado com a falta de estrutura deste país.
O brasileiro é visto como feliz, de bem com a vida, pacífico, etc. Mas estamos cansados da falta de investimento em setores básicos para o desenvolvimento da nação: educação, segurança, saúde, etc. O que o Carlos Guilherme fez é a mais profunda vontade de todo cidadão: EXPÔR PARA O MUNDO A INCOMPETÊNCIA E A MENTIRA DO “DESENVOLVIMENTO” QUE VIVEMOS.
A "receita de miojo" nada mais é do que uma simbologia perfeita de como o Governo do Brasil trata a educação: de forma negligente, desrespeitosa e desinteressada. E sabem o que é pior? A tentativa posterior de insultar nossa inteligência ao alegar que “o texto, em sua totalidade, não fugiu ao tema, e não feriu os direitos humanos. Tampouco cabe dizer que o participante teve a intenção de anular sua redação, uma vez que dissertou sobre o tema e não usou palavras ofensivas”. Além do afamado miojo, temos o hino do Palmeiras. Más línguas dizem que os corretores do Enem são corinthianos, já que esta segunda redação recebeu nota menor.
Ouço constantemente algumas teorias de conspiração do tipo: “O governo não permite o crescimento da educação para que o povo fique emburrecido”. Diante destas patifarias, fica realmente difícil contradizer essas afirmações.
Há mais de 6 anos, tramita no Senado o Projeto de Lei nº 480/2007, de autoria do senador Cristovam Buarque, o qual torna a escola pública obrigatória para filhos de políticos em exercício de cargo público, porque “não se aceita que o Brasil tenha dois padrões de educação: um para os filhos de seus dirigentes, outro para os filhos do povo”. Lindo, né? Mas sabe onde está este projeto? Na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, para averiguação de constitucionalidade. E sabe qual é o parecer? INCONSTITUCIONAL! As razões são válidas, obviamente...
.., mas, ao não cumprir seu dever de fornecer educação ao seu cidadão, o Estado não age de forma inconstitucional também? Um trocadilho que também não tem a menor graça.

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