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quarta-feira, 27 de março de 2013

O DIREITO DOS ESTÚPIDOS E A LIBERDADE DS LÚCIDOS*

Fonte: Internet


Em meio a tantas polêmicas registradas em "facebooks" e "twiteres" da vida, fica difícil pensar com clareza sobre os assuntos propostos, sejam eles de ordem religiosa, política, econômica, entre outros. Somos bombardeados com variadas informações o tempo todo! Informações boas e ruins. Durante algum tempo eu tentei organizar as ideias para explicar que, na verdade, isso é sinal de algo bom. Mas não conseguia passar para texto o que ía em minha mente.
Hoje, no entanto, li com grande alívio e deleite uma reflexão de um pastor evangélico chamado Ed René Kivitz. Ele atua na Igreja Batista de Água Branca (IBAB), em São Paulo.

Faço questão de compartilhar com todos as sábias palavras de Kivitz e de lembrar que, ao contrário do que a maioria esmagadora das pessoas pensam, democracia não é só ter o direito de se expressar como quiser e ser respeitado por estas expressões, mas também é ter o DEVER de respeitar seu próximo.
Apesar de ser uma reflexão escrita por um pastor, ela se aplica a qualquer indivíduo pensante.


O DIREITO DOS ESTÚPIDOS E A LIBERDADE DOS LÚCIDOS

As mídias sociais são um espaço democrático. Não apenas os 140 caracteres do twitter e os posts nos blogs e páginas do Facebook, mas especialmente os RTs e comentários são uma celebração da liberdade de opinião como também e principalmente fazem valer em termos absolutos a máxima “quem fala o que quer ouve o que não quer”.

É bom que seja assim. Parafraseando meu cunhado, que comenta em humor politicamente incorreto sempre que ouve uma besteira, “é melhor ouvir isso do que ser surdo”, nas mídias sociais é melhor conviver com as barbaridades postadas do que dimunuir o espaço da troca de ideias e o fomento da construção coletiva do saber, ou cercear o direito à opinião e à palavra de quem quer que seja, inclusive dos idiotas, intolerantes, ignorantes, deselegantes e outros tais. O direito dos estúpidos é o preço da liberdade dos lúcidos – lembrando sempre que o lúcido de um é o estúpido de outro, e seu contrário.

Minha formação religiosa é cristã sob a ótica da Reforma Protestante. Mais precisamente de tradição batista, que se apoia em alguns poucos princípios fundamentais. Além dos dois eclesiásticos: a Igreja como comunidade autônoma, composta por pessoas convertidas e batizadas, e a separação entre a Igreja e o Estado, também cremos que a Bíblia é a única autoridade em termos de fé e ética, e no sacerdócio universal de todos os cristãos, que implica a liberdade de consciência, a responsabilidade do indivíduo diante de Deus, e o livre exame das Escrituras.

Esses princípios se alinham com as propostas do Iluminismo, que prestou um serviço extraordinário à cultura ocidental, ao estabelecer a distinção dos campos: religião e ciência, fé e razão. Infelizmente – e não sem motivos, a distinção é confundida ou transformada em antagonismo. Mas não precisa necessariamente ser assim. A religião se sustenta em axiomas que extrapolam o método racional científico, mas a experiência de fé não é irracional – bichos não se ajoelham para rezar. Toda vez que o ser humano abre mão da razão, em vez de chegar à fé, e a uma experiência espiritual emancipadora, libertadora e favorecedora da autonomia - "conhecereis a verdade e a verdade vos libertará", torna-se vítima do obscurantismo dogmático e da superstição. A ignorância, a crença irrefletida e a recusa ao debate não são compatíveis com a espiritualidade baseada na consciência que examina livremente um livro considerado sagrado e singular.

Como bem disse o mestre John Stott, “crer é também pensar”. Portanto, fazer pensar é um serviço que se presta à fé. Suscitar o debate e a reflexão é um caminho de evangelização. Puxar o elástico do debate até os limites que se estendem para fora da zona de conforto dos clichês tomados como verdadeiros pela repitição exaustiva é uma forma de atender ao convite de um Deus que gosta de pensar e conversar, e pela boca do profeta Isaías a todos convida dizendo “Venham, sentem aqui comigo, vamos discutir esse assunto”.


*Título do texto de Ed René Kivitz

E o ENEM virou, definitivamente, piada! Só que não teve graça

Fonte: www.focacultural.com.br


Não consigo nem expressar em palavras indignação que senti ao ver aquela receita de miojo em meio à redação da prova do Exame Nacional do Ensino Médio. De início, fiquei indignada com o indivíduo que chegou a este nível de deboche com relação à educação. Confesso, queria dar uma lição de moral no tal rapaz. Mas, depois de discutir o assunto com alguns colegas, entendi que Carlos Guilherme Custodio Ferreira é, na verdade, o retrato do brasileiro indignado com a falta de estrutura deste país.

O brasileiro é visto como feliz, de bem com a vida, pacífico, etc. Mas estamos cansados da falta de investimento em setores básicos para o desenvolvimento da nação: educação, segurança, saúde, etc. O que o Carlos Guilherme fez é a mais profunda vontade de todo cidadão: EXPÔR PARA O MUNDO A INCOMPETÊNCIA E A MENTIRA DO “DESENVOLVIMENTO” QUE VIVEMOS.

A "receita de miojo" nada mais é do que uma simbologia perfeita de como o Governo do Brasil trata a educação: de forma negligente, desrespeitosa e desinteressada. E sabem o que é pior? A tentativa posterior de insultar nossa inteligência ao alegar que “o texto, em sua totalidade, não fugiu ao tema, e não feriu os direitos humanos. Tampouco cabe dizer que o participante teve a intenção de anular sua redação, uma vez que dissertou sobre o tema e não usou palavras ofensivas”.  Além do afamado miojo, temos o hino do Palmeiras. Más línguas dizem que os corretores do Enem são corinthianos, já que esta segunda redação recebeu nota menor.

Ouço constantemente algumas teorias de conspiração do tipo: “O governo não permite o crescimento da educação para que o povo fique emburrecido”. Diante destas patifarias, fica realmente difícil contradizer essas afirmações.

Há mais de 6 anos, tramita no Senado o Projeto de Lei nº 480/2007, de autoria do senador Cristovam Buarque, o qual torna a escola pública obrigatória para filhos de políticos em exercício de cargo público, porque “não se aceita que o Brasil tenha dois padrões de educação: um para os filhos de seus dirigentes, outro para os filhos do povo”. Lindo, né? Mas sabe onde está este projeto? Na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, para averiguação de constitucionalidade. E sabe qual é o parecer? INCONSTITUCIONAL! As razões são válidas, obviamente...

.., mas, ao não cumprir seu dever de fornecer educação ao seu cidadão, o Estado não age de forma inconstitucional também? Um trocadilho que também não tem a menor graça.

Esperar pelo próximo episódio é coisa do passado...

Lisa Kudrow e Courtney Cox, no seriado Web Therapy. (Fonte: da internet)



Em um artigo escrito para a Forbes, Steven Rosenbaum deu a mão à palmatória: séries para web é o futuro!
Entre tantas outras coisas que a internet nos proporcionou, a revolução no consumo de produtos midiáticos está dando o ar de sua graça. As séries produzidas para TV fizeram sucesso estrondoso nos anos 90, que se estendeu nos anos 2000. Só que elas estão começando a perder espaço para o “WWW” (“what, when and where the audience wants).
Quando se fala em séries para web, não se trata de baixar seriados pela internet, mas de toda uma produção pensada exclusivamente para o internauta, não para o telespectador. Nesse sentido, a Netflix arriscou TUDO na série House Of Cards. Quando falo TUDO, é TUDO mesmo, tanto dinheiro quanto formato.


 House of Cards é um thriller político protagonizado por Kevin Spacey, que interpreta um democrata sedento pelo sucesso na Casa Branca. Para obter o que quer, não medirá esforços e passará por cima de todos que estiverem em seu caminho. Para isso, conta com o apoio incondicional de sua esposa, papel denso interpretado pela ex-Sean Penn, Robin Wright (que está absolutamente estonteante). A imprensa tem papel fundamental na trama com a novata Zoe (Kate Mara), que se envolve mais do que deveria com o personagem de Spacey. As atuações são memoráveis e a produção é impecável.
A Netflix investiu, nada mais, nada menos, que R$ 100 milhões somente nesta série. Outras quatro estão programadas para serem lançadas ainda este ano, inclusive a série de horror Hamlock Grove. A Amazon, principal rival da Netflix, não fica atrás. Está produzindo episódios pilotos de séries diversas que serão analisadas pelos internautas. As que tiverem mais votos serão encomendadas para lançamento ainda este ano.
E por que estas séries vão dar certo? Por vários motivos. Aqui, vou citar só 4.

1º Tempo. Quem não gosta de assistir um bom seriado? Daqueles que te prendem, te envolvem a ponto de você quase não conseguir esperar pelo próximo episódio. Mas não tem conversa. Pra acompanhar, só na próxima semana. E se você não tiver trabalho, estudos ou outras coisas que te impeçam de ver a continuação do seriado. Pois é. Agora você não precisa mais esperar. Esta foi mais uma tacada de gênio da Netflix: disponibilizar todos os 13 episódios de HoC de uma vez só. Dessa forma, você pode assistir quantos episódios quiser, em sequência. Não precisa esperar. Se você tiver um fim de semana ocioso, você consegue assistir toda a primeira temporada (cada episódio tem quase 1 hora de duração). Mas, depois de assistir a temporada toda num fim de semana, é necessário esperar o lançamento da próxima temporada, no ano seguinte.

2º Espaço. Com as produtoras de TV se matando para conseguir um lugar ao sol, a internet não tem disso. Na internet, tem espaço pra todo mundo. Basta ter dinheiro pra investir numa boa produção e... VOILÀ! Sua série está à disposição do mundo todo.

3º Inovação. Infelizmente, a maioria das séries de TV seguem um formato padrão. Quando surge uma série inovadora, o sucesso é estrondoso. A web permite experimentações. O seriado Web Therapy, estrelado e produzido pela eterna friend Phoebe, Lisa Kudrow, bombou na internet em 2010. Depois disso, o canal Showtime resolveu transportar as sessões de terapia de 5 minutos da psicóloga Fiona Wallice para a TV. A séria já vai pra sua 3ª temporada. Será que a série teria espaço na TV, caso não tivesse feito sucesso na web?

4º Interatividade. Tanto nas séries produzidas para TV quanto nas produzidas para web, o interesse é o mesmo: audiência e lucro! Nas TVs, os donos das emissoras discutem formato, verba, elenco, etc, com as produtoras destes seriados. Na web, os donos das emissoras vão direto na fonte: o usuário dos serviços. Exemplo da Amazon aí em cima (consultar usuários) e da série House Of Cards. Antes de qualquer investimento, a Netflix fez uma pesquisa entre seus usuários. Esta interatividade permite uma maior possibilidade de aceitação da série.

E quem sai ganhando nisso tudo? Nós! Amantes dos bons seriados e tramas! Que venham mais serviços de filmes e séries via streaming! Mais concorrência, mais oferta, menor preço!

* Com informações do site do Estadão.

Corrupção x Pátria Amada: Quem dá mais?


A eleição de Renan Calheiros para a presidência do Senado está dando pano pra manga. Graças a Deus! Ou a quem quer que seja o chefe dessa loucura chamada MUNDO.
Aproveitando a onda de protestos e manifestações que varrem o mundo, parece que os brasileiros estão começando a despertar. No último sábado, 23, diversas passeatas foram feitas em todo o Brasil, pedindo o impeachment do senador alagoano. Antes disso, surpreendentes 1,6 milhão de pessoas assinaram uma petição online contra Renan. Nas redes sociais, páginas como FORA RENAN CALHEIROS e IMPEACHMENT DO RENAN CALHEIROS ganham cada dia mais adeptos.
Mais do que a luta contra a corrupção, estas manifestações representam uma mudança da cultura passiva do brasileiro. Passividade esta que não é deliberada por parte dos indivíduos, mas um reflexo da construção do nosso país. Afinal, desde que os portugueses aqui chegaram o povo brasileiro não teve oportunidade de se manifestar. A esta classe sempre foram destinadas as tarefas braçais. E aos privilegiados, geralmente portugueses ou descendentes destes, cabia o exercício do pensar.
E assim o brasileiro foi se acostumando ao pão e ao circo. O pensamento conformista tomou conta de cada indivíduo, do Oyapock ao Chuí. Pensavam: "Se tenho o que comer, o que vestir e diversão, por que me incomodar?"
Passaram-se anos, e gerações, e oportunidades de transformar este pensamento, mas nada foi feito. Você pode perguntar: "Mas e a Independência? E a proclamação da República? E o fim da ditadura? Não foram revoluções?". Então eu te respondo: "Nada disso veio efetivamente do povo, mas das elites, daqueles privilegiados, das minorias que governavam para si mesmas e que não queriam perder seus privilégios."

As passeatas recentes ao redor do mundo mostraram efeitos, no mínimo, interessantes nas políticas de seus respectivos países. Embora timidamente, o Brasil tem aderido a estes manifestos e protestos contra a corrupção. Uma luz no fim do túnel do comodismo e da inconsciência política. Lentamente, o brasileiro, acostumado a deitar eternamente em berço esplêndido, acorda para a calamidade que se tornou a prática da corrupção entre nossos políticos. E ouso dizer que essa manifestação vem, sim, da população. A elite continua no poder. Permanece com suas regalias e privilégios.
Otimismo? Utopia? Talvez! Mas realmente acredito que ouviremos muito em breve o brado retumbante de um povo definitivamente heroico.

quarta-feira, 13 de março de 2013

O cinema 3D e sua "inovação"


A primeira exibição pública de cinema aconteceu em 28 de dezembro de 1895, em Paris, promovida pelos irmãos Lumiére. No início eram mostrados filmes curtos, em preto e branco, com a câmera parada e sem som, e ainda assim esses filmes emocionavam a plateia. Um exemplo foi o primeiro filme exibido pelos irmãos Lumiére, de um trem chegando à estação. O público ficou assustado, achando que a projeção era real.

O cinema  se desenvolveu e surgiram os principais movimentos de cinema europeus, o Expressionismo Alemão, Avant-Garde Francesa, Experimentalismo Soviético, Neo-Realismo Italiano, Impressionismo e Surrealismo. Chegamos a época atual com os Blockbusters, em que os efeitos especiais ampliam a fantasia e imaginação, com produções inovadoras e como resultado, bilheterias astronômicas, sequências milionárias e o futuro da sétima arte. 

Para o especialista em cinema Marcelo Ribaric, “O cinema é a arte de organizar as representações e significações”. 
O espectador constrói a sua narrativa através das interpretações das imagens. As imagens, os signos, devem ser colocados em uma sequência para que o “leitor” saiba interpretar a história. Dentro da sala de cinema, o espectador entra em um “faz de conta” e acredita em tudo o que está acontecendo. A realidade transmitida pelo filme deve partir de elementos que o espectador reconheça do “hoje”, que são verdadeiros. Os objetos reconhecidos como verdadeiros nos são apresentados através da linguagem cinematográfica, dos elementos usados pra narrar a história (manipulação do tempo, planos, câmera).

  David Cronenberg, diretor de cinema, disse em entrevista à revista Bravo, que “há coisas que funcionam bem em literatura e são impossíveis de transformar em cinema. É por isso que, em tantos filmes, você tem alguém lendo o livro para você: porque o diretor falhou em encontrar uma maneira de transformar aquilo em cinema”. Os elementos do cinema têm que convencer o espectador de que ele está inserido no filme, fazer com que esqueça a realidade e que a realidade passe a ser aquela que está acontecendo na sala de cinema.

O ser humano, à medida que foi desenvolvendo os meios de comunicação, foi se desnaturalizando, ficando cada vez mais deslocado da natureza. Essa teoria é defendida pelo  filósofo tcheco, naturalizado brasileiro, Vilém Flusser, em seu livro “O mundo codificado” (2007).

Flusser analisa a comunicação através das “linhas e superfícies”.
As linhas são os discursos prontos; impõem ao pensamento uma estrutura específica na medida em que representam o mundo por meio dos significados de uma sequência de pontos, uma sequência histórica/linear.

As superfícies sempre representaram o mundo, por meio das imagens estáticas, estão nas telas de cinema, cartazes e páginas de revistas. A maneira de ler uma superfície é sincrônica, isto é, a partir de um contexto plano bidimensional. Isso implica uma maneira a-histórica de estar-no-mundo para aqueles que produzem e leem essas superfícies. Recentemente sugiram novos canais de articulação de pensamento (como filmes e TV), e o pensamento ocidental está aproveitando cada vez mais esses novos meios digitais.

Os novos meios incorporam as linhas na tela (superfície), elevando o tempo histórico-linear das linhas escritas ao nível da superfície. O espectador compreende o filme de uma maneira sincrônica e diacrônica ao mesmo tempo, pois é a  junção da imagem e do movimento.

Flusser classifica os filmes como “uma sequencia linear de imagens”. A ideia entra em simetria com o pensamento de Marcelo Ribaric de que, quando estamos no cinema, nem percebemos que estamos dentro da história ali narrada. Enquanto “lemos” o filme, não percebemos isso acontecer, não percebemos que estamos lendo.

Lemos os filmes como uma série de imagens em movimento. O filme representa a projeção das coisas, e a leitura dos filmes se passa “dentro” das telas, como nas pinturas.

A linha escrita é uma imagem que se dirige para a primeira dimensão. O filme é uma imagem que já começa na segunda dimensão.

Filmes tridimensionais não introduzem a terceira dimensão, eles somente a projetam. O que torna o filme 3D é o fato de que filmes são fotografias que “falam”. Os filmes, em termos visuais, são superfícies, mas para o ouvido eles são espaciais. Podemos sentir fisicamente como o som, em filmes estereofônicos, introduz uma terceira dimensão na tela. É essa terceira dimensão que muda completamente o modo de ler as superfícies dos filmes.

O crítico de cinema (entre os mais influentes dos Estados Unidos, colunista do jornal Chicago Sun-Times), Roger Ebert publicou um artigo na revista Newsweek, abordando a tecnologia 3D. Para ele, o cinema 3D desperdiça uma dimensão, pois segundo ele, “nossas mentes usam o princípio da perspectiva para fornecer a terceira dimensão. Adicioná-la artificialmente pode tornar a ilusão menos convincente”.  O crítico ainda menciona que o 3D não acrescenta nada à experiência, pois um bom filme é envolvente a ponto de não tornar perceptíveis suas características técnicas, e pode até ser uma distração, pois coloca somente alguns objetos em terceira dimensão.

Roger Ebert fez uma análise ácida sobre o filme Titanic, que recentemente foi relançado em 3D. 
“Cameron tinha acabado de ser exaltado por ser um dos poucos diretores a usar o 3D sabiamente em ‘Avatar’ (2009). Mas ‘Titanic’ não foi filmado em 3D. Assim como você não pode embelezar um porco, não se pode tornar 2D em 3D. (…) O 3D proporciona uma notável perda de brilho na tela – alguns dizem que 20% a menos de brilho. Se você visse um filme ordinário que esmaeceu de tal forma, talvez reclamasse com a gerência do cinema. Mas com ‘Titanic’ você supostamente deve se sentir grato pela oportunidade de pagar uma sobretaxa por essa desfiguração. Se você estiver alerta a isso, você notará que vários planos e sequências nesta versão nem sequer estão em 3D, mas continuaram em 2D. Se você tirar seus óculos, as imagens saltarão da tela com uma melhora dramática no brilho. Eu sei o motivo do filme ser em 3D. É para justificar a sobretaxa. É um jeito pobre de se tratar uma obra-prima”, escreveu Ebert, indignado.

O diretor de cinema Tim Burton disse, em entrevista à revista Época, achar “um pesadelo” o uso de tantas tecnologias no filme “Alice no País das Maravilhas”.
 “Eu não gosto de efeitos especiais. Mas decidimos que animaríamos os personagens no computador a partir da atuação de pessoas reais. Foi muito difícil para mim porque nunca tinha feito um filme assim. Não é inspirador trabalhar sobre um fundo verde que deixa você enjoado. É um processo estúpido, como um pesadelo. Acabou sendo um filme de   animação na maneira como foi feito”.    
     
Em 3D, a profundidade chega a confundir o espectador, perdido na enxurrada de detalhes das cenas. O aspecto tridimensional foi produzido posteriormente, no estúdio. “A escolha pela filmagem em 2-D se deve ao curtíssimo prazo que tivemos para sua realização”, disse o diretor.

Segundo o crítico Roger Ebert, Tim Burton fora pressionado pelo estúdio a adaptar o filme. Talvez tenha se deixado levar pelas exigências contratuais.

Neste ano, grandes produções foram premiadas, e outras estréiam nos cinemas. “As aventuras de Pi”, ganhador de quatro estatuetas do Oscar: de fotografia, efeitos visuais, melhor diretor e trilha sonora. Segundo o crítico de cinema Rubens Ewald Filho, Ang Lee tenta expandir as fronteiras da terceira dimensão em um filme não comercial. O filme tinha tudo para ser um fracasso, mas estourou bilheterias e agradou os críticos, pois soube equilibrar o efeito 3D e a intensa animação digital.

Nic Knowland, diretor de fotografia, afirma que o 3D não o empolgou. "Pode oferecer algum valor de produção e escala para alguns tipos de filmes. Mas, para muitos filmes oferece apenas distração e algumas experiências bem desconfortáveis para o público", disse. "Ainda não encontrei um diretor de fotografia que seja realmente entusiasmado com isso", acrescenta.

Filmes em 3D devem ser criados, escritos e pensados  para as três dimensões. A indústria cinematográfica utiliza desse recurso para entreter o público de uma maneira supostamente inovadora.